
Testes nucleares. Ameaça de um novo conflito armado no extremo oriente. Chuvas arrasam lugares que antes sofriam com a seca. A violência latente que não escolhe mais suas vítimas; jovens, velhos, adultos, crianças, ricos ou pobres. Corrupção em todas as esferas do governo, impunidade, miséria nos quatro cantos do planeta. Temos a impressão que o mundo está sendo engolido por uma nuvem de pragas e que nós, pobres mortais, vamos sucumbir a tudo isso numa questão de tempo. O diagnóstico é claro: O planeta e a sociedade como um todo está mergulhada no mais profundo leito de UTI e o quadro é irreversível.
Nem todos acordaram para a realidade na qual o planeta se encontra. As pessoas, sobretudo as novas gerações, não estão dispostas a se sacrificarem em prol de uma causa maior. Somos cada vez mais egocêntricos, consumistas e arrogantes, somos imediatistas, nos preocupamos em suprir as nossas necessidades momentâneas e estamos nos esquecendo de olhar algumas décadas à frente. Culpamos os grandes países ou as grandes corporações pela degradação ambiental, mas não somos capazes de pequenas ações para diminuir os impactos ambientais, ao contrário, estamos consumindo e poluindo cada vez mais. Indignamo-nos quando uma árvore na floresta amazônica é cortada, mas não nos indignamos ao usar cinco copos descartáveis durante uma jornada de trabalho. Qual é a diferença entre uma ação e outra? Nenhuma, as duas agridem o meio ambiente e acarretarão um desequilíbrio futuro ao ecossistema. Reverter o aquecimento global e a degradação ambiental não depende apenas de ações governamentais ou corporativas, mas também requer esforços de toda a população do planeta, ou seja, a mudança de hábitos que estão enraizados no dia a dia e na cultura das pessoas, e é isso que torna extremamente complicada as ações de recuperação do meio ambiente. A sociedade, dentro das diversas culturas, não está disposta a abrir mão do conforto que a tecnologia proporciona. Estamos acorrentados ao ciclo trabalhar/consumir/trabalhar, produzimos para consumirmos mais e quanto mais consumimos mais trabalhamos, e isso se explica pela perda de valores que a cada geração se esvai pelo ralo. Há uma preocupação geral em ter em detrimento do ser, "diga-me o que tens que eu direi quem tu és", nisso mergulhamos num profundo abismo onde não conseguimos distinguir aquilo que é bom ou ruim, qualidades de defeitos ou refletir o resultado de nossas ações no futuro.
E essa cultura da superficialidade e individualidade que a sociedade desenvolveu, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, é responsável em boa parte pelos atuais acontecimentos que afetam o globo. A corrida armamentista que assistimos hoje no Extremo Oriente, não é nada mais do que o reflexo da cultura do "ter e ostentar para ser respeitado" que existe aqui no ocidente. Os monstros que hoje nos assaltam, nos intimidam e nos matam, foram alimentados pelo preconceito, pela arrogância e pelo "way of life" da classe que atualmente bate no peito e se denomina a esfera pensante da sociedade. A corrupção que atinge desde as esferas governamentais das mais altas até o simples guarda de trânsito, é em boa parte estimulada pela ganância de acumular, cada vez mais, bens e poder.
Se não nos enxergamos como parte deste planeta, co-responsáveis pela melhora ou pelas desgraças que acontecem de nada adiantará investimentos em ações para recuperar o meio ambiente, em segurança ou em educação. Não vivemos numa redoma de vidro na qual somos o centro do universo, mas vivemos num sistema complexo e nossas ações, por menores que sejam, implicam diretamente numa reação do planeta e da sociedade, quer seja ela positiva ou extremamente negativa.




